COMO ENFRENTAR SABIAMENTE ESSE MOMENTO DE INCERTEZAS?

“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no sei dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam.”

Salmo 46. 1-3

O povo de Judá estava cercado pelo mais poderoso exercito do mundo daquele tempo, os assírios. Senaqueribe ameaçava o povo com zombarias através do seu mensageiro Rabsaqué e desafia o Deus de Israel, comparando-o com os “deuses pagãos” ou com nações, como o Egito (Is 36-38 – provável contexto do Salmo 46). O rei Ezequias vai até o profeta Isaías e pede uma resposta da parte de Deus, a resposta está dentro do Salmo 46, que tanto expressa a fé dos crentes em Judá de que ainda que as coisas piorassem, o Deus de Jacó é nosso refúgio e fortaleza (Sl 46. 1,7,10).

Contudo, o que realmente salta aos nossos olhos nesse texto para o momento que vivemos no Brasil e no mundo em razão do Coronavirus é que independente das circunstâncias, dos resultados devemos aquietar nosso coração no Senhor e confiar que ele é o nosso refúgio e fortaleza bem presente nas tribulações “ainda que”. Ele é soberano e governa a história, se tivermos que passar por essa fase de contaminação global, continuaremos a confiar nele, mas sabemos que sendo da sua vontade essa doença maldita será combatida com eficácia pela medicina!

A doença é efeito da Queda e um dia esse efeito será removido de uma vez por todas, quando o nosso Redentor voltar para consumar sua vitória. O máximo que essa doença pode nos fazer é causar dores e a morte, mas nunca poderá nos tirar a esperança e confiança no Senhor e a certeza de nossa completa felicidade. Devemos em obediência a Deus cuidar dos nossos corpos, termos prudência nos cumprimentos e ajuntamentos sociais, todavia, mesmo se vivermos em uma “bolha” não estaríamos livres de contaminação ou da morte. O desespero não combina com a verdadeira fé, a sabedoria, a prudência, o bom senso e a esperança combinam! Nosso papel no momento é orar, confiar e tomar sem desespero e angústia os cuidados necessários disponíveis. Com isso exerceremos a nossa fé, daremos bom testemunho aos ímpios e glorificaremos ao nosso Deus!

A TEOLOGIA DO COACHING E SUAS IMPLICAÇÕES TEOLÓGICAS

A Igreja evangélica brasileira ama modismos, programas ou métodos usados por gringos que parecem ser infalíveis. Assim foi com: Grupo dos 12 – conhecidos como G12; Cair no Espírito; Dente de ouro; Maldição Hereditária; Há poder em suas Palavras; Batalha Espiritual e Teologia da Prosperidade ou Confissão Positiva. Agora a onda do momento é a “Teologia do Coaching”. Mas o que é “Teologia do Coaching”? Vamos começar pela expressão “coaching”, é o “processo de treinamento, de mentoreio, ou um método para que as pessoas alcancem seus alvos”. Existem três expressões que se relacionam: a) Coaching – é o processo, o treinamento b) Coach – é o profissional que conduz o processo c) Coachee – é a pessoa que vivência cada uma destas etapas do processo de “coaching” Quero primeiramente abordar o uso do Coaching no mundo dos negócios.

É um método MOTIVACIONAL para que os funcionários de uma determinada empresa possam alcançar maiores e melhores resultados. O criador do “Coaching para Negócios” Geronimo Theml, definiu assim: “Coaching é um processo que ajuda o cliente (coachee) a identificar com clareza os objetivos que pretende alcançar na vida, foco, para depois planejar, entrar em ação, melhorar continuamente até alcançar o sucesso desejado (...). Isso ocorre nos diversos campos da vida, seja pessoal, profissional, afetivo, cuidados com a saúde, emagrecimento, atividade física e outros ." Existem “Coaching” em várias áreas diferentes, como financeiro, esportivo, empresarial e também “coaching espiritual”. Nesse último caso as pessoas são despertadas em seus valores e crenças religiosas, para que vivam bem consigo mesmas, alcançando uma elevação espiritual.

Alguns líderes evangélicos viram nesse método uma grande oportunidade de adaptar para a igreja. Em um momento em que a Teologia da Prosperidade está em descrédito, algo que esta em alta no mundo como o Coaching vem como uma grande oportunidade de mudança e alcance de maiores resultados. A igreja evangélica uniu esse método para o mundo dos negócios com a Teologia da Prosperidade, dando uma roupagem nova. É uma roupagem nova para a Teologia da Prosperidade que já está desgastada. As vezes ocorre de comprar um livro que foi reeditado e compro pensando que é lançamento, mas o meu erro ocorreu algumas vezes por que não me lembrei do título do livro e a editora mudou a capa para vender mais. Quando chego a minha biblioteca percebo que comprei o mesmo livro, a capa é diferente, todavia o conteúdo é o mesmo. Assim é a Teologia do Coaching, é uma capa nova para uma heresia antiga! Essa Teologia de Treinamento é totalmente PRAGMÁTICA e não Bíblica. É uma reação ao crescimento do interesse pela TEOLOGIA REFORMADA, com as doutrinas da graça. Cresce por que tem uma multidão com coceiras nos ouvidos atrás buscando mestres segundo as suas próprias cobiças (2Tm 4. 3-2). É um método sem o Evangelho da Cruz, da renúncia, da mortificação da carne com seus desejos.

A Teologia Coaching é uma mistura de várias crenças, heresias e filosofias antigas. Embora, não encontraremos essa ligação direta dita por seus defensores, podemos ver influências diretas e indiretas dessas ideologias, como o hedonismo, niilismo, misticismo pagão e gnosticismo. O mais grave é que essa heresia de “roupa nova” nega claramente várias doutrinas bíblicas que são essenciais a verdadeira fé. Dentre elas podemos citar a doutrina da queda e seus efeitos no homem (Rm 3. 9-18; Ef 2.1-3), ao defenderem que Cristo morreu por você por que viu que é especial ou que precisa despertar o seu potencial inato, sua bondade, ao invés de defender que não havia nada em nós que atraísse Deus, éramos inimigos dele e que tudo que realizamos de bom é por causa da graça que opera em nós (Rm 5.10). Negam a suficiência das Escrituras na vida do cristão, ao defenderem que o método como sendo infalível e não as Escrituras para transformar o cristão (2 Tm 3.16-17). Afrontam diretamente a esperança escatólogica do crente (1 Co 15.29), ao crerem em Cristo somente para essa vida, com promessas falsas sobre prosperidade e sucesso e não com a promessa de consumação da vitória de Cristo. A suficiência da graça salvadora (Ef 2. 4-10) ao defendem uma capacidade de superar obstáculos sem a graça, uma autossuficiência humana que é uma essencialidade da Teologia da Prosperidade que continua nessa heresia. Qual é a maneira correta de viver o Evangelho e ser “bem-sucedido”? É obedecendo a Deus por meio de seus Estatutos, mandamentos, preceitos e juízos (Dt 28.1-14), através de Cristo (1 Jo 2. 4-6). Não tem formula mágica, caminho fácil, jeitinho brasileiro para viver o Evangelho. O caminho é estreito, a porta é apertada (Mt 7.13-14). Muitos crentes não entendem que a Escritura nos foi dada para ser a base de toda a nossa vida e não um método inventado pelo mundo.

O apóstolo João diz que não podemos amar o mundo e nem as coisas que há no mundo (1João 2. 15-17). Mas a igreja evangélica tem feito justamente o oposto disso. Tem amado o que é transitório (mundo) em detrimento do que é eterno (Deus), é verdadeira tolice! Somos chamados para termos a nossa mente transformada pelo Evangelho e não tomar a forma do mundo, e como resultado experimentaremos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12. 1-2). Como sabiamente afirmou R. C. Sproul:

“Quando a nossa mente é nutrida pela Palavra de Deus, somos capazes de atestar, provar e reconhecer qual seja a boa, aceitável e completa vontade de Deus.”

Concluo dizendo não existe método revolucionário para a vida cristã fora das Escrituras. A Igreja precisa aprender a deixar de imitar os métodos humanos e aplicar o Evangelho a sua vida. Uma vida “de sucesso” é aquela que é transformada dia a dia pelo Evangelho de Cristo, em sua forma de pensar, agir e decidir. Essas heresias apenas distanciam as pessoas do verdadeiro Evangelho. Lutemos para que sejamos achados fiéis em meio a tantas pressões: culturais, religiosas e morais! A Ele toda a glória, hoje e sempre.

A HOMOSSEXUALIDADE E A INTOLERÂNCIA DO SÉCULO XXI

Nos anos 80 e 90 tínhamos programas humorísticos que atores representavam homossexuais e todos gostavam daquele humor, embora com alguns aspectos imorais e inapropriados, mas não era causa de preconceito social. O próprio Jô Soares teve um personagem assim, além dele, Chico Anysio e outros tantos como Jorge Lafond que fazia a Vera Verão da “Praça é nossa”, ou o Orlando Drummond que era o seu “Peru” na escolinha do Professor Raimundo!

Estudei em escola onde tinha drogas, violência, mas nunca presenciei atos de violência contra homossexuais. Quando um aluno era homossexual, não era isolado do restante da classe de aula, como dizem alguns que ocorre. Ou quando um professor era gay os alunos não o maltratavam por isso. O que normalmente ocorria é que o professor gay tentava seduzir alunos de forma muito descarada, isso presenciei muitas vezes, porém, mesmo assim nunca o vi ser maltratado.

Eu nunca vi e nunca ouvi falar sinceramente, seja através de uma pessoa conhecida ou de alguma outra, que algum homossexual tenha sido maltratado e sujeito a atos violentos, exclusivamente por causa de sua escolha sexual. Quero deixar claro que não estou dizendo que não tenha violência contra os homossexuais, seria um tolo ao dizer isso. Porém, a violência existe contra todos, contra o heterossexual, contra o cristão, contra o ateu, contra a mulher, contra o idoso, contra o deficiente físico, contra o negro ou branco, e assim por diante.

Se você fizer uma pesquisa honesta em fontes confiáveis verá que o existe de violência contra os homossexuais ocorrem em sua imensa maioria dentro de cenários de prostituição. São homossexuais que agridem homossexuais ou são agredidos por seus “clientes” nos programas sexuais. Sem contar a violência entre os homossexuais que são usuários de drogas e naturalmente estão sujeitos a violência pelo próprio cenário que vivem. Sobra uma parcela muito pequena de gays que são maltratados por seus pais por serem homossexuais, como pregam os que fazem parte da LGBTQ+ (significado da sigla - é sobre se identificar como algumas das letras da sigla, mas também fazer parte de todas ela).

A violência contra o próximo em qualquer circunstância é inaceitável por nós cristãos. Todavia, a LGBTQ+ usa dados falsos, cheios de vitimismo. Eles dizem abertamente: “O Brasil é o país que mais mata e tem atos de violência contra os homossexuais do mundo. ” Se isso é verdade, você e eu não deveríamos ter presenciado, ou tomado conhecimento de algum ato assim contra um homossexual? É possível que você saiba de algum, mas as pessoas que tenho, nunca viram. Isso quer dizer o quê? Que se fosse algo tão comum, tão imenso como dizem, não seria comum também presenciarmos fatos assim no cotidiano? Eu já vi casos de pedofilia, de violência contra a mulher, contra o idoso, deficiente, mas nunca vi contra o homossexual.

Outro argumento que utilizo contra essa afirmação da LGBTQ+ é que ao dizer que o Brasil é país mais violento em relação aos homossexuais é automaticamente colocá-lo acima de países islâmicos, onde ser gay é crime punido com morte. Você sabia que tem pelo menos 10 países que punem a prática homossexual com a morte? Por último, argumento que as pesquisas feitas são falsas sobre a quantidade de homossexuais mortos ou vítimas de violência homofobica. É provado que todo gay que morre por variadas causas, como acidente de carro, assalto ou por que era assaltante e em decorrência desse ato criminoso morreu em troca de tiros com a polícia, é arrolado na pesquisa de gays que foram supostamente “mortos por serem homossexuais”!

O propósito final da LGBTQ+ é promover entre as crianças a prática homossexual. Você a esta altura pode pensar que estou falando tolices, por que o projeto não trata de crianças serem ensinadas que a homossexualidade existe e pode ser praticada! Mas o que talvez você não saiba, por viver em uma bolha ou alienado da realidade, é que a LGBT nunca propõe algo ou pressiona a ser feito, sem que tenha como objetivo maior destruir os valores morais judaico-cristãos. Eles não estão preocupados com a vida dos homossexuais, estão preocupados em destruir valores que a sociedade brasileira ainda demonstra claramente defender. Pensa um pouco comigo, por que na época em que vivia o estilista e Deputado Federal Clodovil, um gay declarado naquela época, não aceitou em hipótese alguma apoiar o movimento LGBT? Por que? Ele disse que não tinha nascido de uma “chocadeira”! Os gays que valorizam os princípios familiares que aprenderam de seus pais, não defendem esse movimento e ao contrário, condenam veementemente a prática, ainda que praticam a homossexualidade? Os gays que pensam adequadamente, não defendem esses projetos, todavia, tem héteros que defendem com avidez os conceitos da LGBTQ+ , por não pensarem adequadamente sobre a realidade dessa defesa e suas consequências a longo prazo! O que você pensa sobre tudo isso? Continuará alienado e manipulado pela mídia?

Concluo dizendo que amamos os homossexuais, mas discordamos veemente de suas práticas e defesas morais! Eles também carregam a imagem de Deus como todos os demais e assim como os demais, a Queda desfigurou essa imagem e a única maneira dela ser restaurada é por meio de Cristo. A Bíblia condena tanto a prática homossexual, como também quem apoia e aprova a prática (Rm 1.32).

O nazismo matou milhões de judeus e de outras raças, mas o comunismo matou muito mais e a mídia fica em silêncio.

COISAS ESTRANHAS QUE ME FAZEM PENSAR…!

Estava assistindo um filme que retrata o julgamento de um nazista em Israel que foi televisionado na época para o mundo todo, tendo naquele julgamento muitas testemunhas oculares do holocausto. O nome desse nazista era Adolf Eichmann, capturado na Argentina e levado para ser julgado em Israel, onde foi condenado a morte por enforcamento, posteriormente cremado e lançado suas cinzas no mar.

O Holocausto na Alemanha foi sem dúvida uma das maiores atrocidades já ocorridas em nossa história. Mas o que me causa estranheza não é a retratação dos fatos ocorridos contra os judeus, porém a falta de produções e livros na mesma proporção denunciando os holocaustos causados pelos comunistas soviéticos que mataram muito mais que Adolf Hitler. Em Cuba, Coréia do Norte, Vietnã do Norte e outros que adotaram esse regime, se fossem somados superaria sem dúvida mais de 100 milhões! Não é estranho esse silêncio mundial? Os dois atos deveriam ser igualmente expostos e condenados, mas apenas o nazismo assume essa figura assassina e cruel.

A Netflix lançou um filme que zomba de Cristo e o apresenta como homossexual. É uma total falta de respeito a fé de bilhões de cristãos pelo mundo todo. Mas eles chamam isso de arte! No entanto nunca ouvi falar de algum filme que representasse Maomé como homossexual, zombando da fé islâmica. O último que fez teve o seu local de trabalho explodido por féis mulçumanos. Jamais apoiaria ofensa aos mulçumanos ou atos violentos, todavia, não é incoerente que façam essa zombaria de Cristo e nada de Maomé, Buda, Zoroastro…? É no mínimo estranho e apresenta evidências fortíssimas de uma rejeição e ódio contra o cristianismos, seja na cultura, seja na arte.

O mundo com suas crenças e ideologias se une contra o que eles mais odeiam, Cristo! Aceitam ou respeitam qualquer crença, menos o verdadeiro cristianismo. A razão é simples, estão mortos em delitos e pecados, caminham na ignorância e por natureza são filhos da ira de Deus! Somente quando a graça alcança é possível entender suas próprias incoerências, pecados e perversões. Mas apenas quis mostrar o que estava pensando e o que me causava bastante estranheza. Não sei se você já parou para pensar nessas mesmas coisas, porém vale a pena refletir sobre isso!

ESTUDAR TEOLOGIA É DEVER DE TODO CRENTE!

Não é tarefa difícil lermos sobre os teólogos do passado e avaliarmos suas condutas, convicções, ousadia ou covardia diante dos desafios culturais de seu tempo. O difícil é avaliarmos a nossa conduta, a nossa coragem ou covardia em nosso tempo! De nada adiantará estudarmos Teologia se esta não for útil para nos levar a discernir a nossa época, se não nos ajudar a dar respostas as indagações existenciais da nossa alma e levar a nossa igreja a maturidade cristã! Teologia deve ser algo que nos prepara para viver e morrer!

"O nosso tempo é caracterizado por uma cultura do sentimento, do prazer pessoal, do politicamente correto, que é a pós-modernidade. O próprio nome já revela incoerência, “pós-modernidade”, como algo pode ser posterior a modernidade e ser vivido no presente? Contudo, não irei entrar no mérito semântico da questão, porque pouco importa em relação às reais dificuldades que este pensamento humanista representa para a igreja do século XXI."

Em seu livro Tempos Pós-modernos, Gene apresenta uma pesquisa feita nos EUA, que revelam o sentimento e o pensamento do nosso tempo em relação a verdade absoluta:

"É difícil dar testemunho da verdade a pessoas que acreditam que a verdade é relativa (Jesus funciona pra você; os cristais funcionam para ela). É duro clamar o perdão de pecados para pessoas que acreditam que, visto a moralidade ser relativa, elas não têm pecados a serem perdoados. Segundo uma pesquisa recente[1], 66 por cento dos americanos creem que “não existe o que se possa chamar de verdade absoluta”. Entre os jovens, a porcentagem é ainda mais alta: na faixa dos 18 aos 25 anos, 72 por cento das pessoas não acreditam que existam absolutos."

Se não existe verdade absoluta, não existe Deus! E se não existe Deus, não existe padrão de certo e errado! Existem duas alternativas: 1. Deus não existe e estamos soltos, livres para pensar e estabelecer nossos critérios, nossos padrões,: 2. Ou Deus existe, mas está totalmente ausente da sua criação e por isso não se relaciona, não governa, não estabelece absolutos a serem seguidos e obedecidos!

A ausência de absoluto deu a sociedade liberdade de sentir, pensar, projetar “livremente”, tendo um comportamento totalmente relativizado. Quando existia o iluminismo o homem navegava em mar aberto confiado no frágil barco da “razão”, seu barquinho naufragou na primeira e segunda guerra mundial. Agora o homem navega em mar aberto na “canoa” dos sentimentos, do subjetivo. Só que o homem não descobriu ainda que navegou pouquíssimo e o pouco que navegou já entrou em processo de afundar totalmente nos mares da incerteza, do relativismo, do barato e transitório existencialmente!

Os evangélicos não estão fora desse quadro. Cada vez mais a teologia torna-se relativa, pragmática, materialista, ansiosa por prazer momentâneo, e antropocêntrica, atendendo as expectativas mundanas do homem! Os evangélicos já entraram na canoa da pós modernidade há muito tempo! A igreja do século XXI está envolvida pelos efeitos da cultura pós-moderna. A teologia da prosperidade é a maior prova de seu materialismo e antropocentrismo, o apego ao dinheiro e tudo que ele pode proporcionar em termos materiais. É uma teologia imediatista, porque crê que Deus é obrigado a atender todas as reivindicações de forma imediata.

O pragmatismo é vivido através do apego exagerado aos projetos, programações extraordinárias, que desprezam os meios, importando apenas com o fim em si mesmo, se deu certo é bíblico! Como devemos enfrentar nosso tempo com tantos desafios diante de nós? É necessário conhecer a Escritura e retirar dela ensinos teologicamente corretos e aplica-los a vida da igreja. Esse é o propósito da Teologia Cristã, explicar as doutrinas bíblicas e aplicar a realidade da igreja. Não tem sentido uma teologia que não seja para a vida e para nos preparar para a eternidade! Não podemos tratar questões teológicas pelo desejo do academicismo puro e simples, porém, movidos pelo amor a Escritura e o desejo sincero de glorificar a Deus! É dessa maneira que caminharemos nessa estrada pavimenta de conhecimento eterno a nós revelados pelo Senhor em sua Palavra!

É sabido que existe uma ferrenha resistência por parte de muitos cristãos sinceros ao estudo da Teologia e o desprezo para com a história da mesma. Entendo que esse desprezo em certo sentido é justificável historicamente. A teologia é um termo que foi criado no século II da era cristã, para diferenciar a crença cristã da crença politeísta e pagã daquele tempo. O destacado cristão, Clemente de Alexandria, contrastou os seus escritos e ensinos teológicos com a mitologia dos escritores pagãos, mostrando claramente que o termo “teologia” se referia a “asserções da verdade feitas pelos cristãos acerca de Deus”, em confronto com as histórias pagãs da mitologia grega.  Houve um período, em que a teologia assumiu um papel puramente acadêmico, assumindo a função de uma das matérias das principais universidades europeias. Era ensinado nas faculdades de Paris, Bolonha e Oxford, as matérias: ciências, medicina e teologia. O paganismo já era assunto resolvido, ninguém discutia mais nos séculos 12 sobre a existência de vários deuses ou de um único Deus, acreditava-se na existência de um único Deus, e Ele deveria ser o Deus dos cristãos.Com essa ascensão da teologia, ela foi cada vez mais abordada academicamente e não como uma matéria pratica para a igreja. Contudo, com a reforma protestante, tanto Martinho Lutero como João Calvino entenderam a necessidade de usar a teologia de forma prática.

A Academia de Genebra, fundada por João Calvino em 1559, tinha como objetivo inicial oferecer aos pastores uma educação teológica voltada para as necessidades práticas do ministério da igreja. Posteriormente, os escritores protestantes atuaram dentro das academias e voltaram a teologia para a teoria e não para a prática pastoral. Isso piorou muito com o iluminismo, que combateu o ensino teológico nas academias. O teólogo liberal Schleiermacher defendeu o uso dessa disciplina nas universidades como sendo essencial. O que tudo isso mostra, é que herdamos um uso puramente teórico e acadêmico da teologia, divorciada da pratica e desafios ministeriais. Temos que unir o academicismo com a prática da igreja, teoria sem prática cristã não serve para nada, a não ser para enfeitar o pescoço dos acadêmicos tolos! A resistência atual no meio evangélico se deve basicamente por essas razões históricas apresentadas.

A história bem compreendida contribui para o bom entendimento do presente e nos prepara para o futuro. A Escritura é o fundamento seguro, a verdade absoluta, o critério com o qual usamos para interpretar tudo que nos cerca e a própria história.

Embora todas as igrejas tenham uma teologia, é preciso saber se tal teologia procede das Escrituras ou de experiências humanas e cosmovisão antropocêntrica. A base teológica definirá o desenvolvimento correto ou não correto da Teologia pregada na igreja. Se a base é a Escritura e somente ela, a teologia será boa, mesmo que envolvida por uma nuvem de heresia, que sempre paira em nossas reflexões, as verdades centrais serão abordadas corretamente. Todavia, se a base da teologia for as necessidades humanas, antropocêntrica, a teologia não será teologia, mas antropologia divorciada de uma visão bíblica, mas envolvida totalmente em humanismo cético.

A teologia é uma expressão de fé da igreja amparada nas Escrituras, como disse o teólogo Kuyper:

"A Teologia não termina em conhecimento teórico e abstrato; antes, alcança plenitude no conhecimento prático e existencial de Deus, por meio da sua revelação nas Escrituras, mediante iluminação do Espírito. Conhecer a Deus é obedecer a seus mandamentos. A Teologia não pode ser um estudo sem compromisso, feito por um transeunte acadêmico. Ela é função da igreja cristã, dentro da qual estamos inseridos. “Estudamos dogmática como membros da igreja, com a consciência que temos uma incumbência dada por ela e um serviço a lhe prestar, devido a uma compulsão que pode se originar somente no seu interior."

Estudar teologia é um dever de todo crente e de toda igreja cristã. É por falta de interesse pela Palavra que a igreja tem sido facilmente atacada por heresias e abraçado paganismo e misticismo. As músicas evangélicas retratam bem a fraqueza teológica prevalecente, as campanhas ou práticas evangélicas provam o quanto a Igreja de Cristo no Brasil tem sido facilmente enganada por Satanás e seus ministros.

A igreja precisa de Teologia fundamentada nas Escrituras. Não existe como ela existir sem estudar sobre Deus, sua revelação registrada de forma inspirada nas Escrituras! Qualquer pregação que não se fundamente nos ensinos escrituristicos, é falsa teologia, é antropocentrismo e não uma visão teocêntrica e cristrocentrica!